quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Obesidade

Introdução

Enquanto milhões de pessoas morrem de fome anualmente na maior parte do mundo, muitos têm morrido indiretamente com o consumo excessivo de alimentos. Bilhões são gastos todos os anos com a alimentação excessiva no mundo inteiro que por sua vez leva ao desperdício de bilhões em métodos de perda de peso.
Isso tem levado as pessoas cada vez mais a está em um estágio conhecido como obesidade, e o problema tem se agravado de uma forma tal que está sendo considerado problema de saúde pública.
Um estilo de vida sedentário tem sido associado a um risco a esse distúrbio endócrino chamado obesidade. Embora essa doença em si represente uma causa importante de morte, está fortemente associada a outras doenças que apresentam taxas de mortalidade elevada, como a hipertensão, doença coronariana e o câncer. Nesse momento vamos nos deter ao esclarecimento dessa doença que já afeta o mundo inteiro e quais os melhores métodos para tratá-lo.


Obesidade

A obesidade é uma condição crescente no cenário mundial. Pode ser definida como um acúmulo excessivo de gordura corporal (McArdle ET al., 1998; Powers e Howley, 2000). Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2004), 38,8 milhões de pessoas com 20 anos ou mais estão acima do peso, o que significa 40,6% da população total do país, e, dentro desse grupo, 10,5 milhões são obesos.
Os termos obesidade e sobrepeso são, muitas vezes, utilizados indistintamente, mas, do ponto de vista técnico, eles possuem significados diferentes. Segundo Wilmore e Costill (2001), sobrepeso é definido como um peso corporal que excede o peso normal ou padrão de uma determinada pessoa, baseando-se na altura e constituição física. Para o mesmo autor obesidade é definida como condição em que o indivíduo apresenta uma quantidade excessiva de gordura corporal. E de que forma saber quando o indivíduo está com excesso de gordura corporal, podemos relacioná-los com padrões de percentual. Para isso Wilmore e Costill (2001) consideram que para homens 25% de gordura corporal e as mulheres com mais de 35% devem ser considerados obesos.
categoria
Homens
Mulheres
*muito baixo
menor ou igual  a 5%
menor ou igual a 8%
abaixo da média
6-14%
9-22%
Média
15%
23%
acima da média
16-24%
24-31%
*muito alto
igual ou maior a 25
maior ou igual a 32
Fonte: Lorman. 1992
1-* Risco para doenças e desordens associadas à desnutrição
2-*Risco para doenças e desordens associadas à obesidade

O quadro atual é em razão especialmente, de uma série de fatores, entre eles o crescimento tecnológico e os hábitos alimentares inadequados.
As células de gordura são chamadas adipócitos. O tamanho e o número de adipócitos ajudam a determinar a classificar a obesidade. Os adipócitos existentes aumentam o seu volume (enchem-se com mais gordura), em processo denominado hipertrofia das células adiposas. Quando essa hipertrofia atinge seus valores máximos, desencadeia um outro processo denominado hiperplasia (aumento no número) das células adiposas (McArdle et al., 1998)   
Algumas pessoas acreditam que, mais baixo for o percentual de gordura corporal, mais saudável será o individuo, mas isso não é verdade. Para que o corpo apresente funcionalidade e forma saudável, deve existir um percentual mínimo de gordura corporal, para Fleck (2003) esse limite mínimo é chamado de gordura essencial, a qual está contida nas membranas celulares, nos tecidos nervos e em blocos de proteção localizados ao redor dos órgãos internos. Ter 0% de gordura é fisiologicamente impossível.
  Segundo Fleck (2003), a gordura essencial nos homens é de 5% a 6%, e nas mulheres de 8 a 10%. Portanto para manter-se saudável o percentual de gordura não pode reduzira baixo desses limites que serve para manter os órgãos internos funcionado normalmente.
Para Wilmore e Costill (2001) o padrão mais utilizado para estimar a obesidade é o índice de massa corporal (IMC), é determinado dividindo o seu peso em kilogramas pelo quadrado de sua altura em metros. Apesar de não ser uma mediada fidedigna por que se comprarmos indivíduos fortes e baixos vai ser considerado obeso, sendo assim é uma medida que pode ser utilizada com seus devidos cuidados.
Fonte OMS (2002)

Com bastante freqüência, a obesidade começa no início da infância. Filhos de pais obesos correm risco duas a três vezes maior de se tornarem adultos obesos, quando comparados com crianças de famílias nas quais nenhum dos progenitores é morbidamente obeso. A gordura excessiva manifesta-se, também, lentamente durante a fase adulta, no período entre 25 e 44 anos, constituindo a época mais perigosa (McArdle et al., 1998).
Esse aumento de peso é influenciado por diversos fatores, que podem ser genéticos, ambientais, comportamentais, socioeconômico etc. (Guedes e Guedes, 2003). Segundo Guedes, Souza Júnior e Rocha (2008), para engordar ao longo da vida, deve ocorrer um acúmulo de energia, e toda essa energia acumulada será estocada em forma de gordura corporal.
Ciente disso, engordar e emagrecer depende do que podemos chamar de balança energética, por exemplo, se o indivíduo consome mais caloria que gasta o balanço é positivo e o indivíduo engorda, se o processo for inverso o indivíduo emagrece.
Sendo assim, os especialistas estão direcionando suas atenções não só para compreender os fatores que levam as pessoas a engordarem, mas, também, ao que faz que elas comam descontroladamente, a ponto de alcançar níveis de gordura corporal prejudiciais à saúde. Atualmente, tem-se estudado o centro de controle da fome e saciedade, no hipotálamo. Em relação ao controle da saciedade, o que se sabe é que existe uma proteína chamada leptina relacionada a essa função. Essa proteína é produzida, especialmente pelo tecido adiposo (Gale et al., 2004).O que acontece é que em casos de obesidade, ocorrem algumas modificações genéticas que interferem na ação desse hormônio (Veloso, 2006).
Segundo, Guedes, Souza Júnior e Rocha (2008), o estimulo para a ingestão alimentar e o aumento de peso corporal são controlados por outro hormônio, denominado grelina. Esse hormônio é secretado em células especializadas na mucosa do estômago e promove efeitos opostos ao da leptina.

Controle de Peso corporal

Devemos ter um conhecimento básico de como o peso corporal é controlada ou regulada para compreendermos melhor como uma pessoa torna-se obesa. Segundo Willmore e Costill (2001) o corpo recebe uma média aproximada de 2.500 kcal por dia. Para conseguir manter o peso ou diminuir o peso corporal o indivíduo terá que encontrar o equilíbrio energético, ou seja, a quantidade de calorias consumidas precisa ser igual ou menor que as calorias gastas.
A quantidade total de energia despedida diariamente pode ser expressa para willmore e Costill (2001) com a soma de três componentes: Taxa metabólica de repouso (TMR), efeito térmico de uma refeição (ETR), efeito térmico de uma atividade (ETA).
60% - 80% do gasto energético total é referente ao metabolismo basal ou metabolismo de repouso. Toda energia gasta para manter nosso corpo funcionando em repouso, o que inclui manter o funcionamento dos sistemas orgânicos e temperatura corporal (Guedes e Guedes, 2003; Bacurau et al., 2001)
Efeito térmico dos alimentos é o gasto energético necessário para a realização de todo o processo digestório e absortivo dos alimentos pelo corpo. É responsável por, 6% - 10% do gasto calórico total.
Efeito térmico da atividade ou metabolismo voluntario é uma dos três componentes que mais variam com forme o nível de atividade física do indivíduo. Em indivíduos muito ativos o ETA pode representar mais de 50% do gasto calórico total, enquanto nos sedentários, apenas 10 – 15%. (Bacuraul et.al, 2000).
O corpo adapta-se a aumentos ou reduções importantes da energia ingerida pela alteração da energia despendida por cada um desses três componentes. O nosso corpo consegue aumentar seu metabolismo se alimentar-se varias vezes ao dia em pequenas quantidades e diminui se consumir alimentos em abundância em períodos muitos longo entre as refeições.

Etiologia da Obesidade

Em vários momentos da história humana, considerou-se que a obesidade era causa por desequilíbrios hormonais resultante da falha de uma ou mais glândulas endócrinas em regular adequadamente o peso corporal. Em outros momentos, acreditou-se que a gula, em vez da disfunção glandular, ara a principal causa da obesidade. Segundo Willmore e Costill (2001), a obesidade pode ser de uma ou da combinação de vários fatores. Pesquisas recentes demonstraram que há um componente genético importante na etiologia da obesidade. Entretanto, é possível ser obeso basicamente em virtude do estilo de vida, na ausência de uma história familiar (genética) de obesidade.
A obesidade é também ligada aos traumas psicológicos e fisiológicos, a fatores ambientais, desequilíbrios hormonais, hábitos culturais, atividade física inadequada e dietas impróprias. São as principais causas.
Portanto, a obesidade possui uma origem complexa e suas causas especificam indubitavelmente diferem de uma pessoa para outra. 

Problemas de Saúde Relacionados com a Obesidade

Durante muitos anos, os pesquisadores consideraram que o principal risco à saúde associado ao peso corporal excessivo era o excesso de peso corporal.Van Itallie, realizou uma análise dos efeitos do sobrepeso sobre os risco à saúde, classificando cada pessoas pelo
·         Grau de peso ou sobrepeso, utilizando o peso corporal relativo e o índice de massa corporal;
·         O grau de magreza ou de obesidade, utilizando a soma das medidas de espessura das dobras cutâneas.
Segundo Willmore e Costill (2001), as causas de mortalidade excessiva associada à obesidade e o sobrepeso incluem: cardiopatia, hipertensão, certos tipos de câncer, colecistopatias, diabetes. A obesidade foi diretamente relacionada a: alteração das funções orgânicas normais, aumento do risco de certas doenças, efeitos nocivos sobre doenças estabelecidas, reações psicológicas adversas.
Algumas alterações nas funções orgânicas do obeso são comuns e dependem do grau de obesidade entre eles estão: problemas respiratórios, letargia, policitemia. Estás alterações podem levar à trombose, ao aumento do tamanho do coração e a isuficiência cardíaca.
Segundo Willmore e Costill (2001), a gordura é armazenada diferentemente entre homens e mulheres, os homens tendem a armazenar gordura na porção superior do corpo, particularmente na região abdominal (andróide) ou tipo maçã, ao passo que as mulheres tendem a armazenar gordura na porção inferior, particularmente no quadril, nas nádegas e coxas (ginóide) ou tipo pêra.
Pesquisas recentes iniciadas no final da década de 1970 e no início da década de 1980 estabeleceram que a obesidade andróide é um fator de risco nas seguintes condições: doenças coronarianas, hipertensão, acidente vascular cerebral, nível sérico elevado de lipídios e diabetes (Willmore e Costill, 2001).


Obesidade e Atividade Física

Com relação às atividades recomendadas para a perda de peso, o que se houve muito é que, para a perda de peso, as atividades devem ser de caráter aeróbico, como caminhar, correr, pedalar, nadar, etc. Essas atividades, por terem intensidade moderada, permitem sua realização por um período prolongado, e utilizam como substratos energéticos, sobretudo, os ácidos graxos livres (Guedes, Souza Júnior e Rocha, 2008). No entanto o que determina a redução do peso corporal não é a solicitação do substrato energético, mas o gasto calórico total.

Atividade
Intensidade
Velocidade
Km/h
Kcal/min

Tempo total de atividade
Gasto
Calórico
Total - kcal
Caminhar
Correr
Leve
Alta
4,8
10,7
4,3
13,5
45 min
45 min
193,5
607,5
Fonte: Guedes, Souza Júnior, Rocha (2008)

O que podemos observar é que, se o aluno estiver com um nível de aptidão física que possibilite realizar atividades intensas, sem dúvida, essa atividade promoverá uma maior gasto energético total e, consequentemente, reduções mais significativas em seu peso corporal.
Segundo Fleck (2003), o treinamento com pesos pode fazer parte de um programa de controle de peso corporal para pessoas de qualquer idade. Esse tipo de exercício não mobiliza grande quantidade de calorias com os exercícios aeróbicos.
Um programa de treinamento com pesos com um circuito de oito exercícios, cada um com 20 repetições e intervalo de 20 segundos de repouso entre as séries, resulta em gasto calórico total médio de 242 kcal (Haltom e colaboradores, 1999). Segundo Fleck (2003), 1 kg de gordura contém aproximadamente 7.700kcal.
O tecido muscular é um tecido bastante ativo, ou seja, gasta muita energia para a manutenção de sua estrutura e função (síntese protéica, contração muscular etc.). Consequentemente o indivíduo que tem sua massa muscular aumentada aumenta, também, seu metabolismo basal (Guedes e Guedes, 2003; Bacurau et al., 2001).
Ainda que atividade física de alta intensidade aumente o consumo de oxigênio pós - exercício, a musculação acumula grandes quantidades de ácido lático que serão removidos durante o período de recuperação, na presença de oxigênio, logo, mobilizando gorduras como substrato energético. Esses dois fatores fazem com que o metabolismo continue elevado por algumas horas após o treinamento (Bacurau at al., 2001).
Além disso, a musculação tende a aumentar os níveis de hormônios do crescimento e testosterona, classificados como emagrecedores, por mobilizarem gorduras para produção de energia (Guedes Jr., 1998).
Além disso, deve-se salientar que a musculação é uma metodologia de treinamento que vai ao encontro das necessidades individuais de cada um. Logo, para o emagrecimento, uma das propostas é o treinamento em forma de circuito (circuit trainig). Essa metodologia tem por finalidade desenvolver as resistências cardiorrespiratória e a de força (Monteiro, 2002)       

  Bibliografia

McAdle, W. D; Katch, F. I; Katch, V. L. Fisiologia do Exercício: Energia nutrição e desempenho humano, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1998.
Powers, S. K. Howley, E. T. Fisiologia do Exercício: Teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho. São Paulo: Manole, 2000.
Willmore, J. H; Costill, D. L. Fisiologia do exercício e do esporte, São Paulo: Manole, 2°ed, 2001.
Fleck, S. J. Treinamento de força para o fitness e saúde, São Paulo: Phorte, 2003.
Guedes jr., D. P.; Guedes, E. R. Controle de peso corporal: Composição corporal atividade física e nutrição, Rio de Janeiro: Shape, 2003.
Gale, S. M.; Castracane, V. D.; Mantzoros, C. S. Newslab: Grelina e controle da energia de homeostase, v.64, 2004.
Veloso, L. A. O controle hipotalâmico da fome e da termogenese – implicação no desenvolvimento da obesidade. Arquivo brasileiro de endocrinologia e metabolismo, v.50, n. 8, 2003.
Guedes D. P.; Souza Jr T. P.; Rocha A. C. Treinamento personalizado em musculação, São Paulo: Phorte, 2008.
Bacurau, F. R. et al. Hipertrofia e hiperplasia: fisiologia, nutrição e treinamento do crescimento muscular: São Paulo, Phorte, 2001.
Van Itallie, T. B. Health implications of overweinght and obesity in the United States. Annals of internal medicine, 1985
Haltom, R. W., Kramer, R. R., Sloan, R. A., Herbet, E. P., Frank, K. e Tyniecki, J. L.Circuit weight training and its effects on excess post exercise oxygen consumption. Medicine and Science in Sports and Exercise. 1999
Monteiro, A.G. Treinamento personalizado: uma abordagem diadático-metodologica. São Paulo: Phorte, 2002.

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