Introdução
A hipertensão é o termo médico para a pressão arterial alta, uma condição na qual a pressão arterial encontra-se elevada de maneira crônica acima dos níveis considerados desejáveis para a idade e o tamanho de uma pessoa, e é um dos distúrbios mais comuns dos seres humanos (Guyton, 1984). A pressão arterial depende, sobretudo do tamanho corporal de uma pessoa e, por isso, as crianças e os jovens apresentam pressões arteriais muito mais baixas do que os adultos, Por essa razão, a determinação do que constitui a hipertensão na criança e no adolescente em crescimento é difícil. Clinicamente, a hipertensão nesses grupos é definida como valores da pressão arterial acima dos 90 ou dos 95 percentiis para a idade do jovem. A hipertensão é incomum durante a infância, mas pode surgir no meio da adolescência. Para os adultos o Comitê Nacional de Hipertensão, estabeleceu orientações, apresentadas na tabela abaixo, para a pressão arterial diastólica (PAD), a qual é a pressão mais baixa no interior das artérias em qualquer momento, e para a pressão arterial sistólica (PAS), a qual é a pressão mais alta no interior das artérias em qualquer momento. No entanto, a Organização Pan-Americana de Saúde (2005), em estudos recentes, comprova que valores de pressão sistólica entre 12 e 13,9 e diastólica entre 8 e 8,9 já são um alerta para mudar os hábitos, pois pessoas que estão nessas condições são classificadas como pré-hipertensos, pelo Instituto Nacional de Sangue, Pulmão e Coração dos Estados Unidos.
Tabela 1 – Classificação da pressão arterial sistêmica para adultos com mais de 18 anos
Categoria | Pressão arterial sistólica | Pressão arterial diastólica |
Ótimo | < 120 | < 80 |
Normal | 120 - 129 | 80 – 84 |
Normal Alta | 130 – 139 | 85 – 89 |
Estágio 1 de hipertensão | 140 – 149 | 90 – 99 |
Estágio 2 de hipertensão | 160 - 169 | 100 – 109 |
Estágio 3 de hipertensão | > 180 | > 110 |
Fonte: Adaptado do ACSM (2004)
A hipertensão faz que o coração trabalhe mais intensamente do que o normal, uma vez que ele tem que expelir o sangue do ventrículo esquerdo contra uma maior resistência. Além disso, ela impõe uma grande tensão sobre as artérias e as arteríolas sistêmicas. No decorrer do tempo, esse estresse pode fazer que o coração aumente de tamanho e as artérias e arteríolas apresentem cicatrizes, endureçam e tornem-se menos elásticas. Eventualmente, isso pode levar à aterosclerose, ao infarto do miocárdio, à insuficiência cardíaca, ao acidente vascular cerebral e à insuficiência renal.
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (OPS, 2003) no Brasil, calcula-se que esta doença cause a morte de 7,1 milhões de pessoas por ano, equivalente a 13% do total de óbitos. Estima-se que existam, pelo menos, 600 milhões de hipertensos no mundo. Segundo o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, 2004) e Fisher (2001), a hipertensão arterial está associada ao aumento da incidência de mortes causadas por doenças cardiovasculares. No Brasil, a hipertensão arterial sistêmica representa uma das maiores causas de morbidade cardiovascular e acomete acerca de 15% a 44% da população adulta, possuindo também considerável prevalência em crianças e adolescentes (Monteiro e Sobral Filho, 2004; Drager e Hrieger, 2004). Além disso, essa patologia representa alto custo social, uma vez que é responsável por cerca de 40% dos casos de aposentadoria precoce e absenteísmo no trabalho (Monteiro e Sobral Filho, 2004).
Fisiopatologia da Hipertensão
A fisiopatologia da hipertensão não é bem compreendida. Segundo Willmore e Costill (2001), estima-se que 90% ou mais das pessoas identificadas como hipertensas são classificadas como portadoras de hipertensão idiopáticas ou de origem desconhecida. A hipertensão idiopática, também denominada essencial, pode ser decorrente de
· Fatores genéticos;
· Ingestão excessiva de cálcio;
· Obesidade;
· Resistência a insulina;
· Inatividade física;
· Estresse psicológico;
Segundo Guyton (1984) e a OMS (2002), as principais causas da hipertensão arterial são:
· Problemas renais: mau funcionamento por problemas de fluxo sanguineo no interior dos rins, inflamação ou outras patologias nos rins;
· Volume sanguineo excessivo: ingestão de alimentos salgados que induzem ao consumo excessivo de água;
· Fatores hormonais: liberação excessiva de adrenalina e noradrenalina;
· Fatores psicológicos: Estresse e ansiedade;
· Baixo nível de atividade física
· Excesso de peso
Fatores de Risco Para a Hipertensão
Os fatores de risco da hipertensão, como aqueles da doença coronariana, podem ser classificados em dois grupos: aqueles que podem ser controlados e aqueles que não podemos controlar. Segundo Willmore e Costill (2001), os fatores que não podemos controlar são a hereditariedade (história familiar de hipertensão), idade avançada e raça (maior risco para as pessoas de ascendência africana ou hispânica). Os fatores que podemos controlar são resistência a insulina, obesidade, dieta (excesso de ingestão de sal), utilização de contraceptivos orais e inatividade física.
Embora a hereditariedade seja um fator de risco para a hipertensão, ela tem provavelmente um papel menor que outros fatores propostos.
Segundo Wilmore e Costill (2001), A inatividade física pode ou não ser um fator de risco para a hipertensão. Seu papel ainda não está definido é necessária uma maior quantidade de estudos epidemiológicos para se chegar a uma melhor conclusão, mas evidências indicam que o aumento do nível de atividade física tende a reduzir a hipertensão arterial.
Prevenção da Hipertensão
Diversos autores dedicaram-se ao estudo das alterações da pressão arterial, principalmente em relação à prescrição de exercício para o público hipertenso. Surgiram assim várias pesquisas quanto à intensidade, à duração, à carga, e às repetições mais indicadas para indivíduos com hipertensão arterial, surgindo duas linhas de pensamento.
A primeira, sugerindo cargas leves/moderada (de 40% a 60% da F.C) e número elevados de repetições (de 10 a 25 rep.) (AHA, 2000; ACSM,2000; Pollock ET AL, 2000; Negrão e Barreto, 2005).
Acreditava-se que a pressão arterial fosse mais dependente da carga (peso), com isso acreditava-se o peso leve não levaria ao esforço elevado, evitando assim os picos de hipertensão durante o treinamento.
Sendo assim alguns estudos foi desenvolvidos comprovando outra idéia em relação a esse treinamento, vale destacar o estudo realizado por Farinatti e Assis (2000), foi observada maior solicitação cardíaca com números maiores de repetição (carga baixa), quando comparados com menos repetições (carga alta).
Segundo Wallace (2003), o treinamento com pesos é essencial para melhorar a capacidade de desempenhar as atividades da vida diária (AVDs); logo, não deveria ser excluído da rotina de treino dos hipertensos.
Outra característica do treinamento de força com cargas elevadas é o aumento do componente isométrico e a realização da Manobra de Valsalva (caracterizada pela expiração forçada contra uma glote fechada). Cargas extremamente pesadas elevam, consideravelmente, o componente isométrico da contração muscular. Portanto, essa situação promove aumento da pressão intramuscular e se comprime os vasos e artérias dentro do músculo ativo.
Para Kelly e Kelly (2000), deve ser realizado de 1 a 4 séries de 6 a 14 exercícios e duração de 20 a 60 min. Para cada sessão. Já para o ACSM (2000), as sessões não devem ser muito extensas, as repetições baixas (de 10 a 15 repetições) e as amplitudes de movimento podem aumentar gradativamente (começando por amplitudes que favoreçam a vantagem mecânica, facilitando o movimento); a freqüência de 2 a 3 vezes por semana e a respiração bloqueada deve ser evitada. Para o AHA (2000), os hipertensos devem se exercitar com 8 a 10 exercícios, 2 a 3 dias por semana, com uma série de 10 a 15 repetições até a fadiga moderada; em relação ao intervalo entre as séries é muito variável. Segundo Polito e Farinatti (2003) e ACSM (2000), intervalos de 2 a 3 minutos entre as séries seriam recomendados para esse grupo; no entanto Kelly e Kelly (2000), os intervalos variam entre 15 e 120 segundos.
Segundo Guedes, Souza júnior e Rocha (2008), o treinamento resistido proporciona efeitos agudos e crônicos para a resposta da pressão arterial, pode-se observar reduções de 3 mmHg para a pressão arterial sistólica e de 4mmHg para a diastólica logo após o treinamento (efeito agudo).
Outro fato que deve ser levado em consideração e a relação entre o treinamento envolvendo grandes e pequenos grupos musculares. Para Pendergast (1989) e Toner et al. (1990), para determinado percentual da captação do consumo máximo de oxigênio, as pressões sistólica e diastólica são consideradas mais altas quando o trabalho é realizado com os braços do que com as pernas, devido à árvore vascular dos braços, que oferece maior resistência ao fluxo sanguíneo.
Vale ressaltar que algumas situações que venham a ocorrer podem limitar a participação desses indivíduos em programas de exercícios físicos, inclusive o treinamento de força. Por isso, são necessários um rígido acompanhamento médico e a interação entre o professor de educação física e o médico, a pressão sistólica não pode ultrapassar 180 mmHg, e a diastólica de 110 mmHg.
Bibliografia
Guedes, Souza Júnior e Rocha: Treinamento personalizado em musculação- São Paulo: Phote, 2008
Diretrizes do ACSM para teste de esforço e sua prescrição. 6° Ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 2003
Farinatti e Assis, Estudo da freqüência cardíaca, pressão arterial e duplo produto em exercício contra resistência e aeróbico continuo. Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde, V.5, N° 2, 2000.
Feigbaun e Pollock, Prescription of resistance training for health and disease. Medicine and Science in Sports and Exercise, V 31, N° 1, 1999.
Gayton, Fisiologia Humana. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1984.
Kelly e Kelly, Progressive resistance trainig and blood pressure: A meta-analysis of randomized controlled Trial. Hypertension, V 5, N° 3, 2000.
Willmore e Costill: Fisiologia do Esporte e do Exercício. 2° Ed. São Paulo: Manole, 2001
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